O BRASIL NA 2ª GUERRA MUNDIAL

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Joel Silveira, correspondente de Guerra, em trabalho realizado para a Revista "Enciclopédia Block" no ano de 1970

A Campanha da FEB

    A campanha da FEB [Força Expedicionária Brasileira] durou sete meses e dezenove dias: de 16 de setembro de 1944, quando um batalhão do 6º Regimento de Infantaria iniciou a marcha na frente do rio Serchio (entre Pietrassanta e Luca), com a consequente conquista de Camaiore, até 2 de maio de 1945, dia em que a ordem de cessar fogo, vinda do comando do 4º Corpo do Exército norte-americano, deteve a marcha do 3º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria, na localidade de Verselli, no vale do Pó, nas proximidades de Novara.

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    Nesses quase oito meses de guerra, a 1ª Divisão Expedicionária (FEB) lutou em duas frentes. A primeira, a do rio Serchio, durante o outono de 1944; a Segunda, muito mais ingrata, a do rio Reno (não confundir com o Reno alemão), ao norte de Pistóia, em plena cordilheira apenina. Aí, por mais de dois meses, os combatentes brasileiros atravessariam a fase mais cruel do inverno da montanha, com temperatura que, às vezes, chegava a 15ºC abaixo de zero, e sob a constante hostilidade do fogo inimigo.

    E daí, tendo como ponto de partida o Quartel-General avançado de Porreta-Terme, avançaria para a conquista dos seus maiores feitos: a vitória de Monte Castelo, a 21 de fevereiro de 1945; a de Montese, a 14 de abril de 1945; até o aprisionamento de toda a 148º Divisão Alemã e remanescentes de uma Divisão de Infantaria italiana, bem como de forças blindadas do antigo "Afrika Korps", sucesso que teve lugar a 28 de abril de 1945, ou seja, no mesmo dia em que, quilometros adiante, na região do lago de Como, Benedito Mussolini caia nas mãos dos "partigiani".

Os heróis brasileiros

    Nessa Guerra, a FEB perdeu 443 homens, entre soldados e oficiais; mais 8 aviadores do 1º Grupo de Caça da FAB, comandado pelo então coronel-aviador Nero Moura, que foram abatidos em combate no Norte da Itália e no Sul da Áustria; e mandou para os hospitais da retaguarda perto de 3.000 feridos. Por outro lado, fez 20.573 prisioneiros, inclusive dois generais: o general Otto Fretter Pico, comandante da 148º Divisão de Infantaria alemã, e o general Mario Carloni, comandante do que restava da desbaratada Divisão de Bersaglieri Itália.

    Da conquista de Camaiori, na frente do rio Serchio, à rendição da 148º Divisão de Infantaria alemã, em Collechio-Fornovo, a divisão brasileira não deixou de cumprir uma só das missões que lhe foram atribuídas pelo general Willys Dale Crittemberger, comandante do 4º Corpo de Exército norte-americano, ao qual a FEB estava incorporada. Mas nem sempre foi fácil, ou teve êxito imediato, a execução das missões recebidas do 4º Corpo do Exército norte-americano, ao qual a FEB estava incorporada, como foi o caso da conquista de Monte Castelo, só alcançada depois de quatro tentativas rechaçadas pelos alemães.

    Durante a maior parte do inverno apenino, os alemães dominaram as posições da FEB no cume do Monte Castelo, do monte de la Torraccia e de Soprassato, obrigando a tropa brasileira, que hibernava no vale do Reno, a encobrir seus movimentos sob a proteção do nevoeiro artificial produzido pela queima de óleo diesel.

    Entre 2 de julho de 1944, data da partida do 1º Escalão, e 8 de fevereiro de 1945, quando seguiu o 5º e último contingente, os navios-transporte norte-americanos "General Mann" e "General Meigs" desembarcaram na Itália, no porto de Nápoles, um total de 25.334 expedicionários brasileiros, entre oficiais e soldados. Era o efetivo de uma Divisão.

Dados estatísticos

    Dos oficiais superiores de nosso Corpo expedicionário, 98% pertenciam à ativa do Exército, como da ativa eram 97% de seus capitães. Em compensação, 49% dos subalternos da tropa pertenciam à reserva, isto é, eram civis convocados nas mais diferentes partes do Brasil para completar os quadros da Força Expedicionária Brasileira.

    No seu conjunto, a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária compunha-se do 1º Regimento de Infantaria (Regimento Sampaio), sediado no Rio de Janeiro; do 6º Regimento de Infantaria, de Caçapava; do 11º Regimento de Infantaria, com sede em São João del Rei; de quatro Grupos de Artilharia; do 9º Batalhão de Engenharia de Aquidauana (Mato Grosso); de um Esquadrão de Reconhecimento (Cavalaria); do 1º Batalhão de Saúde, organizado em Valença, além das chamadas "tropas especiais" e de "corpos auxiliares", inclusive 67 enfermeiras.

    Na relação dos soldados tombados na Itália, o 1º Regimento de Infantaria (Sampaio) vem em primeiro lugar, com 152 mortos. O 11º Regimento de Infantaria (São João del Rei) perdeu 134 homens e o 6º Regimento de Infantaria (Caçapava) teve mortos 109 soldados.

As mortes, por Estado

    Todos os Estados brasileiros se achavam representados na FEB e, entre todos, São Paulo foi o que teve maior número de mortos: 92. Minas Gerais perdeu 80 homens; o Estado do Rio, 63.

    O então Distrito Federal chorou a morte de 50 cariocas; 29 paranaenses e 28 catarinenses ficaram no cemitério de Pistóia, ao lado de 21 gaúchos, 17 goianos, 13 pernambucanos, 12 capixabas. 11 baianos, 6 cearenses, 6 paraibanos, 6 riograndenses do norte, 6 sergipanos, 5 alagoanos, 4 paraenses, 2 piauienses, 1 acreano e 1 amazonense.

    Apenas um Estado, o Maranhão, foi mais feliz: não teve um só morto na campanha da Força Expedicionária Brasileira.

O campo de batalha

    No dispositivo militar aliado, atuando na frente italiana, onde operavam o 5º Exército norte-americano e o 8º Exército Britânico, a 1º Divisão de Infantaria Expedicionária, ou Força Expedicionária Brasileira, estava incorporada ao 4º Corpo de Exército americano, o qual, por sua vez, além da Divisão brasileira, compunha-se de uma Divisão Blindada norte-americana, uma Divisão sul-africana e outra inglesa, e ainda da 10º Divisão de Montanha norte-americana, que lutou junto aos brasileiros, em 1945, quando da tomada de Monte Castelo.

    A ação do 4º Corpo cobria uma frente de 80 quilômetros e, nessa frente, a FEB ficou responsável, a partir de novembro de 1944, quando se deslocou para o "front" apenino, por um setor de extensão de mais ou menos 10 quilômetros.

    Algumas vezes, no entanto, como quando da ofensiva de abril de 1945, a frente guarnecida pelos soldados brasileiros chegou a estender-se por 20 quilômetros, bastante ampla para a ação de uma Divisão. Na frente apenina, a FEB instalou o seu Quartel General avançado em Porreta-Terme, 30 quilômetros a norte de Pistóia.

    Porreta Terme, onde os brasileiros passaram a longa e, por vezes, asfixiante noite, que se estendeu de dezembro de 1944 a 22 de fevereiro de 1945, fica no vale do pequeno rio Reno italiano, emparedada entre as montanhas. Em seu tempo de paz, é uma agradável e requintada estação termal, cujas fontes sulfurosas são famosas em toda a Itália.

O inferno astral dos "pracinhas"

    Como acontece com toda unidade combatente, a história da FEB, na campanha da Itália, está repleta de datas, não apenas gloriosas, mas também amargas. Se alguém tivesse perguntado ao general Mascarenhas de Morais, comandante da Força Expedicionária Brasileira, qual foi, no seu entender, o dia mais negro da campanha na Itália, a sua resposta, certamente, teria sido esta: "12 de dezembro de 1944."

    Foi um momento profundamente triste para os soldados brasileiros, que naquele dia viram frustrada, pela terceira vez, a esperança de conquistar Monte Castelo antes do inverno.

    O general Mascarenhas, naquela mesma noite, no Quartel General do 4º Corpo do Exército, explicou ao general Crittemberg os motivos do insucesso dessa operação. E ainda, na madrugada daquele dia, no seu pequeno quarto do Quartel General, em Porreta-Terme, escreveria longa carta ao comandante do 4º Corpo, detalhando os motivos, já expostos verbalmente na noite anterior, pelos quais a FEB não vinha conseguindo desalojar do cume de Castelo a poderosa guarnição que lá se mantinha.

    Dizia ele, num trecho de sua carta, hoje arrolada entre os documentos capitais da história da FEB:

    "Antes de tudo, eu desejo apresentar a minha resposta na seguinte compreensão: a capacidade ofensiva de uma tropa repousa no aparelhamento dos meios, na sua instrução, num poderoso esforço adequado à frente de combate e na experiência de guerra. Os meios materiais da divisão estão, hoje, em situação normal. A sua instrução foi simplificada mediante a condição de que poderia completá-la em situações apropriadas de combate.

    "Recebeu, no vale do Reno, um grande setor defensivo, onde cerrou ativamente o contato com o inimigo. Logo em seguida, atacou por duas vezes, nas condições seguintes: posições organizadas; - terreno exclusivamente favorável ao inimigo (grandes alturas, em qualquer parte, na mão do inimigo); - em virtude da grande frente, não pôde, nas duas vezes, fazer uma concentração de esforços para uma ação ofensiva correspondente à missão recebida."

    E rematava, o comandante dos "pracinhas":

    "Não posso, portanto, dizer a V. Exa. Que a minha divisão não tem capacidade ofensiva."

Não basta ter, é preciso mostrar

    Mas era preciso eu a Divisão brasileira mostrasse a sua capacidade ofensiva, e aquele 12 de dezembro de 1944, arraigou ainda mais no marechal general Mascarenhas a convicção de que a conquista de Monte Castelo era uma questão de honra para os soldados do seu comando. Os alemães de Monte Castelo tinham de ser derrotados, de qualquer maneira, pelos "pracinhas", e somente por eles.

    Do alto de seus cumes, mais de uma divisão alemã tinha os olhos vigiando, dia e noite, os "pracinhas" acuados lá embaixo. Entre os altos montes dominadas pelos alemães, um se destacava pela sua posição estratégica: Monte Castelo. Não fosse ele tomado, e seria impossível às forças do 4º Corpo de Exército prosseguir a marcha sobre Bolonha, objetivo que o general Mark Clark, pretendia atingir, antes que começassem a cair as primeiras neves do inverno próximo.

    Vejamos, desde o princípio, a odissé ia do Monte Castelo.

24.11.1944 – O primeiro assalto

    O general Mascarenhas instalou o seu Quartel General em Porreta-Terme no dia 6 de novembro de 1944. Três dias depois, os soldados brasileiros substituíam a 1ª Divisão Blindada norte-americana que, após meses de luta, retirava-se para o descanso da retaguarda.

    No dia 24, o Esquadrão de Reconhecimento e o 3º Batalhão do Regimento de Infantaria da FEB juntavam-se à Task Force 45, norte-americana, para a primeira ofensiva contra Monte Castelo.

    A princípio, a operação foi bem sucedida, chegando, mesmo, alguns elementos da Task Force, a alcançar o cume do Monte Castelo, depois de se apoderarem do Monte Belvedere, ao lado. Mas a contra-ofensiva da 232ª Divisão de Infantaria alemã, que defendia Castelo e o monte della Torracia, foi violenta, obrigando-os soldados americanos e brasileiros a abandonar suas posições já conquistadas. Somente o monte Belvedere não foi devolvido.

    Os dias 24 e 25 de novembro de 1944, data da primeira tentativa de conquista do Castelo, assinalam o início da segunda fase da luta da FEB na Itália.

A perda do Belvedere

    Mas o segundo ataque a Monte Castelo, planejado para o dia 29, apenas quatro dias após o primeiro, não iria, também, ter êxito.

    Para esse segundo ataque, o comando da Divisão brasileira formou um grupamento constituído do 1º Batalhão do 1º Regimento de Infantaria; do 3º Batalhão do 6º Regimento, já provado na primeira investida; e do 3º Batalhão do 11º Regimento.

     O grupamento foi colocado sob o comando do general Zenóbio da Costa, comandante da Infantaria Divisionária, que contaria com a cobertura de dois grupos de artilharia brasileiros e, possivelmente, com um grupo de artilharia do 4º Corpo.

    Um lamentável imprevisto, entretanto, se verificaria, naquela noite do dia 28 de novembro, véspera do segundo ataque a Monte Castelo: em inesperado e fulminante contra-ataque, as tropas da 232ª Divisão de Infantaria alemã expulsaram os norte-americanos do Belvedere, tomado quatro dias antes, deixando, assim, descoberto o flanco esquerdo das forças brasileiras.

    O comando da FEB pensou em adiar o assalto para os dias seguintes, na esperança de que o Belvedere fosse reconquistado, mas isso seria desaconselhável, visto que as tropas já se achavam nas posições das quais iniciariam o ataque.

29.11.1944 – O segundo assalto

    Às 7 horas da manhã do dia 29 de novembro, tinha início a Segunda ofensiva brasileira contra o Monte Castelo. As condições de tempo não podiam ser piores: chuva, céu encoberto, o que dificultou e chegou a impedir a atuação da força aérea; havia também muita lama, o que praticamente anulava ou, pelo menos, reduzia ao mínimo a participação dos tanques e viaturas pesadas.

    Cerca de uma hora depois de ter iniciado o ataque, as tropas brasileiras foram contidas pelos soldados alemães dos 1.043º, 1.044º e 1.045º Regimentos de Infantaria inimigos.

    Assim, no fim da tarde, os dois batalhões brasileiros voltaram às duas posições anteriores, sem que, durante toda a luta, devido às condições de tempo, tivessem podido intervir eficazmente os tanques e os aviões.

12.12.1944 – O terceiro assalto

    No dia 5 de dezembro de 1944, chegava ao Quartel General avançado da Divisão brasileira, em Porreta-Terme, a ordem do 4º Corpo americano, ao qual estávamos subordinados:

    "Cabe à Divisão de Infantaria Expedicionária capturar e manter a crista do monte della Torracia: Monte Belvedere." Significava dizer que Monte Castelo, situado no centro da linha Belvedere-Torracia, seria, mais uma vez, objetivo principal da próxima ofensiva brasileira, que teria início no dia 12.

    Às 6h30 do dia 12 de dezembro de 1944, tinha início o terceiro assalto dos expedicionários brasileiros a Monte Castelo. A luta não demorou mais de cinco horas.

    Contra a ofensiva dos brasileiros, voltaram a se conjurar os mesmos fatores negativos que haviam frustrado as tentativas anteriores: o céu fechado aos aviões, o frio intenso, a chuva persistente, o lamaçal escorregadio em que se transformara a terra-de-ninguém, entre Gaggio Montano e Castelo, impedindo a progressão dos tanques.

    Mesmo assim, as vanguardas brasileiras conseguiram chegar além da metade do caminho que levava a Monte Castelo. À esquerda, os "pracinhas" comquistaram Zolfo, a apenas 200 metros do cume e, ao centro, chegaram a Abetaia, onde foram detidos por cerrado fogo da artilharia alemã.

Uma vez mais, a derrota

    Ali, em Abetaia, antessala do Castelo, mais de 20 brasileiros tombariam, mortos, naquele 12 de dezembro, e seus cadáveres, enrijecidos e enegrecidos pelo frio, só seriam retirados no dia 22 de fevereiro, depois da conquista de Monte Castelo.

    Esse terceiro ataque a Castelo, mais uma vez rechaçado, provou que os planos táticos para a conquista da posição teriam de ser inteiramente modificados. Era evidente que Monte Castelo não poderia ser arrebatado aos alemães apenas com o concurso de algumas unidades da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (DIE), mas sim com o empenho de toda a divisão brasileira na ofensiva.

    Isso se fazia mais presente agora, quando os alemães, alertados pela insistência do comando na conquista de Monte Castelo, perceberam que aquela era uma posição que não deveriam entregar. A prova disso é que, após o segundo ataque a Castelo, o inimigo tratou de reforçar suas tropas no cume e no lado norte do morro, substituindo os regimentos que o defendiam por unidades novas e descansadas, trazidas da retaguarda.

    Estabeleceu-se, então, entre brasileiros e alemães, uma determinação paralela: por parte dos brasileiros, a de que Castelo teria de ser conquistado de qualquer maneira; por parte dos alemães, a de que o monte não deveria ser abandonado em hipótese alguma.

    Tinham sido difíceis e cruentos os três primeiros ataques a Monte Castelo e, somente no dia 12 de dezembro, havia desfalcado os batalhões brasileiros em mais de 150 homens. O quarto ataque, e que seria o último, prometia ainda ser mais difícil e mais sangrento.

Pausa para a neve

    Enquanto isso, o inverno, que se apresentou como um dos mais rigorosos registrados nos últimos cinquenta anos ma região apenina, começou a estender o seu lençol branco por toda a frente italiana.

    Na cordilheira, os termômetros baixaram subitamente dez, quinze, e até dezenove graus abaixo de zero. E a neve, que começara a cair antes de 24 de dezembro, já cobria todo o setor onde operavam os nossos soldados.

    Viram-se, assim, os combatentes brasileiros, diante de um outro inimigo igualmente impiedoso e, para eles, até então desconhecido. Como seria possível aos expedicionários brasileiros, gente dos trópicos, enfrentar o mar branco e gelado que os cercava e os fazia tiritar ?

    Foi, portanto, com alívio, e até mesmo com alegria, que a vanguarda da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (DIE), estendida por quinze quilômetros, recebeu a notícia de que o comando do 5º Exército norte-americano havia voltado atrás na sua decisão de "chegar a Bolonha antes do Natal"; e que, por conseguinte, ficava suspensa a ofensiva geral planejada para os próximos dias.

    A frente italiana entrava em recesso, numa longa trégua branca. Até fevereiro, na frente apascentada pela neve, os transidos homens que a defendiam, limitaram sua guerra dos dois lados, a operações de patrulha e a uma modorrenta vigilância nas trincheiras, nos postos de observação e nos "fox-holes" avançados.

    Durante dois meses e dez dias, o compasso de espera impôs, na frente italiana, o ritmo de guerra, num intervalo que só seria interrompido no dia 19 de fevereiro de 1945, data estabelecida pelo comando do 5º Exército norte-americano para o começo da nova e derradeira ofensiva que levaria as tropas aliadas, e entre elas a FEB, para além do vale do Panaro, além do vale do Pó, até as fronteiras com a França.

O Plano Encore

    O plano chamava-se "Encore" [bis, repetição]. Nele seriam empregadas todas as forças do 4º Corpo do Exército e seu objetivo seria o de expulsar o inimigo do setor do Reno italiano, e persegui-lo, depois, através do vale do rio Panaro.

    No Plano Encore, a tarefa dos brasileiros seria, mais uma vez, a de desalojar os alemães de Monte Castelo. Agora, no entanto, a tática seria outra, exatamente aquela que o general Mascarenhas de Morais sempre defendera, ou seja, a que partia da premissa de que a poderosa posição alemã, situada no setor mais agressivo e mais íngreme do espinhaço apenino, só poderia ser conquistada se, no seu assalto, fosse empenhada toda a Divisão brasileira.

    E foi exatamente esse ponto de vista do comandante da FEB que se impôs na reunião prévia dos comandantes do 4º Corpo do Exército.

Chegou a hora de a onça beber água

No dia 20 de fevereiro de 1945, as tropas brasileiras se colocaram em posição de combate, com os três regimentos da Divisão prontos para convergir na direção de Monte Castelo.

    À esquerda dessas forças, a 10ª Divisão de Montanha norte-americana, experimentada tropa de elite. Devia apoderar-se do monte della Torracia, garantindo, assim, o flanco mais vulnerável do setor defendido pelos soldados brasileiros.

    A FEB, na sua totalidade, seria convocada para o último assalto a Castelo, mas coube aos três batalhões do 1º Regimento de Infantaria a missão de avançar sobre Castelo, dominá-lo, e, de lá, expulsar os integrantes da 232ª Divisão de Infantaria alemã.

    O ataque teve início na hora prevista: seis horas da manhã. E, às 17h50 da tarde daquele 21 de fevereiro de 1945, eu me encontrava no Posto de Comando do general Cordeiro de Faria, comandante da Artilharia Divisionária, quando escutei a voz do tenente-coronel, pelo rádio de campanha:

    "Estou no cume do Castelo."

Os "pracinhas" tomam posição

    Na véspera do dia 21 de fevereiro de 1945, eu havia pedido um jipe ao major Sousa Junior, encarregado dos correspondentes de guerra, para ir a Nápoles, esperar o 4º Escalão das Tropas brasileiras, que chegaria a 23. O major, então, me perguntou:

    "Você prefere esperar o Escalão ou uma coisa melhor?

    A "coisa melhor" era a ofensiva brasileira do dia 21 sobre o Monte Castelo. Manhã cedo, no Quartel General recuado, em Pistóia, fomos avisados de que nossa artilharia abriria cerrado fogo, naquela noite, conta posições inimigas nas montanhas que, há três meses, nos barravam o caminho.

    Tomamos um café apressado, enchemos os bolsos de chocolate e chicletes, e dirigimos nossos jipes, sob uma temperatura de 5ºC abaixo de zero, para o Quartel General avançado em Porreta-Terme, já nos Apeninos.

    Minutos depois, eu já tomava de assalto o Posto de Observação Avançado do general Cordeiro de Faria, que comandava a nossa Artilharia, e lá me instalei por todo o dia.

    Eram 8 horas da manhã quando o general me cedeu seu lugar diante da luneta binocular e me disse:

   "Começamos a atacar às 6 horas da manhã. As tropas em ofensiva constituem o 1º Regimento de Infantaria, o Sampaio. Os seus batalhões avançam na seguinte ordem: o 1º Batalhão, comandado pelo major Olívio Gondim de Uzeda, segue pela esquerda; o 2º Batalhão, comandado pelo major Siseno Sarmento, vai pelo centro; e o 3º Batalhão, comandado pelo tenente-coronel Emílio Rodrigues Franklin, partirá da direita.

    "Nossa intenção" prosseguiu "É envolver todo o morro e, em coordenação com a ofensiva americana que já conquistou Belvedere, e arrancá-lo das mãos nazistas até o fim da tarde de hoje."

Como num filme

    Vejo, com a ajuda da luneta, os nossos "pracinhas" agachados lá na frente, grupos aqui e ali rastejando em direção ao cume, de onde as terríveis metralhadoras alemãs (as "lurdinhas") atiram, imitando curtas e sinistras gargalhadas.

    Agora mesmo, um de nossos soldados encostou-se num pedaço de muro destruído e aponta sua Thompson para qualquer lugar, lá em cima. Os morteiros alemães rebentam nas faldas do sul, mas nossa artilharia reinicia seu canhoneio sistemático e certeiro, como fizera toda a noite. Escuto o silvo das granadas passando sobre nós, vejo-as explodirem lá adiante, numa coroa de fumaça que vai envolvendo o Castelo numa aura cinzenta.

    Uma de nossas baterias parece que perdeu a mira, e seus tiros caem muito aquém, quase num dos setores brasileiros. O general Cordeiro dá ordens secas e rápidas e, durante alguns minutos, seus ajudantes-de-ordens procuram. Servindo-se dos cinco telefones de campanha e dos dois rádios, localizar o canhão de má pontaria.

     Finalmente, o capitão Durval de Alvarenga Souto Maior, comandante da 1ª Bateria do 1º Grupo de Artilharia descobre que o canhão pertence à sua unidade. Dá uma ordem rápida pelo rádio e os tiros, agora, estão perfeitamente ajustados no eficiente conjunto de toda a artilharia.

    À esquerda, sobre posições americanas além do Belvedere, cinco ou seis aviões Thunderbolt descem em picada, rápido, e metralham impiedosamente, os nazistas, lá embaixo.

Ataque conjugado

    Quando cheguei ao Posto de Observação do general Cordeiro, pouco depois de iniciada a ofensiva, a situação era mais ou menos esta: os batalhões já haviam avançado, com exceção do 2º Batalhão, comandado pelo major Siseno, que partiria de Gaggio Montano às 11h35.

    Os alemães tentavam impedir a progressão dos brasileiros, insistindo num fogo concentrado de seus morteiros. Eu sabia que a conquista de Monte Castelo só seria consumada depois que os americanos, que haviam partido de Belvedere, tivessem se apoderado de Torraccia, um pico que, mais atrás, dominava todo o morro sobre o qual avançavam nossos homens.

    O ataque americano, que começara na noite anterior, estava sendo efetuado por uma Divisão especializada, a 10ª Divisão de Montanha, recentemente chegada àquele setor. Às 10 horas da manhã, os americanos se encontravam além de Menzacona, meio caminho entre Belvedere e Toraccia.

    Menzacona havia ficado em poder de um dos batalhões brasileiros, com o qual os americanos haviam feito ligação nos primeiros instantes da ofensiva. Então, o avanço combinado, no lado direito, tomou o seguinte aspecto: os brasileiros deixaram alguns homens em Menzacona e seguiram em direção a Castelo, pela esquerda, comandados pelo major Uzeda; os americanos deslocaram-se pela frente, avançando em direção a Toraccia.

Diário de Campanha

    Daí por diante, os acontecimentos se sucederam nesta ordem, conforme me diziam os quase indecifráveis apontamentos que fui tomando naquele momento, e que, vinte e cinco anos depois, volto a consultar:

    Ao meio-dia, o general Mark Clark, comandante-chefe aliado na frente italiana; o general Truscott, comandante do 5º Exército americano; o general Crittenberg, comandante do 4º Corpo do Exército americano, ao qual estava incorporada a FEB; e o comandante-chefe das Forças Aéreas do Mediterrâneo, estiveram em visita ao general Mascarenhas de Morais, no seu Posto de Observação, localizado a três quilômetros à direita do Posto de Observação do general Cordeiro.

    Às 12h30, o major Uzeda, que avançava pela esquerda, pedia proteção da Artilharia para alcançar um ponto à sua frente, e o general Cordeiro ordenou às baterias: "Cinco rajadas de morteiro sobre a cota 813."

    Às 23:55, um dos batalhões avisava que haviam sido avistados reforços alemães que começavam a chegar a Castelo. Do lado direito, o coronel Franklin fora detido com seu 3º Batalhão. O major Uzeda prevenia pelo rádio que iria tentar envolver Castelo pela esquerda.

     Às 14h20, o major Uzeda avisou que ia atacar a cota 920, penúltimo ponto antes da crista de Castelo. Pediu mais um tiro ao general Cordeiro, que logo transmitia novas ordens às baterias.

    O major Uzeda se encontrava precisamente a cinco quilômetros do Posto de Observação, tendo realizado, já, uma progressão de mais de dois quilômetros.

    O diálogo entre Alma 1, Alma 2 e Alma 3 (nome de código dos observadores junto aos batalhões) e Lata 1, Lata 2 e Lata 3 (oficiais de ligação nos batalhões), repete-se, de minuto a minuto.

    Às 15 horas, o major Uzeda já se encontrava firme em 930, mas seu avanço foi detido pelas metralhadoras alemãs. Seu objetivo final será a cota 977, ou seja, o cume do Castelo, onde tencionava chegar às 16h30.

    Então, ficou combinado que, às 16h20, quando seu batalhão iniciasse o definitivo arranco sobre a crista do Castelo, toda a artilharia divisionária concentraria seus fogos sobre as encostas e o cume do monte. Estávamos disparando com canhões 105, 155, e com morteiros.

     Às 15h05, o general Cordeiro virou-se para mim e me disse que, até aquele momento, calculava já haver gasto "uns 8 milhões de cruzeiros de munição com seus disparos de artilharia." (Feita a correção monetária, quanto seria hoje?)

    Às 15h30, o major Uzeda informava pelo rádio: "Meus homens estão prontos para atacar." Olhei pelo binóculo que o coronel Miranda me emprestou por alguns minutos e vi, lá em cima, na cota 930, os soldados, em formação de ataque, esparsos pelos pequenos vales e depressões, ou deitados no resto da neve que o sol ainda não havia limpado.

    Entre 13h30 e 13h50, estabeleceu-se uma relativa calma: somente os morteiros alemães, os aviões de bombardeio que metralhavam as costas de Toraccia e um teco-teco brasileiro (que observava tranquilo e solitário, como um pássaro sem pressa, as posições da artilharia inimiga) continuavam em ação.

O Posto de Observação

    O Posto de Observação do general Cordeiro situava-se numa elevação do terreno, e lá embaixo eu via todo o vale e, a menos de um quilômetro distante de nós, um dos grupos de nossa artilharia. Quando suas peças disparavam, toda a casa estremecia, e xícaras e copos tremiam na mesa, com um barulho cristalino.

    As pessoas que moravam ali, no velho chalé de paredes amarelas, haviam sido expulsas pela guerra e, ao que parece, não tiveram nem tempo para levar suas coisas. Os móveis estavam intactos, viam-se litografias nas paredes, um Cristo muito pálido, e fotografias de homens fardados e mulheres em trajes de inverno.

    Num dos cantos da sala, onde o general havia postado a sua luneta de grande alcance, descobri um "ricordo nuziale" [certificado de casamento] numa moldura dourada, e nele lembrava-se que, no dia 11 de novembro de 1927, numa igreja de Bolonha, casaram-se Dino Bettochi e Caterina Cioni.

    Às 16h05, o coronel Franklin informou pelo rádio que seus homens ocuparam Fornelo, à direita de Castelo e próximo do seu cume. Tratava-se de um ponto de resistência do inimigo, ninho de metralhadoras, que acabava de ser dominado pelos nossos soldados. Fornelo foi um dos pontos em que foram barradas, em novembro e dezembro de 1944, os anteriores ataques brasileiros a Castelo.

Já se vão mais de dez horas de luta

    Não resta dúvida de que o ponto mais empolgante de toda a luta do dia 21 teve lugar às 16h20, quando toda a Artilharia Divisionária concentrou seus fogos sobre Castelo.

    Começava a anoitecer. Noite de inverno europeu chega cedo. Os obuses explodiam em chamas altas, e eu as via muito próximas, com o auxílio do binóculo.

    Negros buracos começaram a aparecer na encosta do Castelo, e logo o cume ficava transformado numa espécie de cratera de vulcão em atividade. O major Uzeda avançava, protegido pela fumaça intencional, e nossas metralhadoras também trabalhavam ativamente.

    No Posto de Observação, um silêncio pesado: ninguém dizia nada. O general Cordeiro havia grudado os olhos em sua luneta e seus dedos (até disso tomei nota) alisavam mecanicamente um pedaço da mesa.

    Às 17:45,o general Cordeiro de Faria deixou, por um instante, suas lunetas, e disse, voltando-se para mim: "Castelo está praticamente conquistado."

    Chegaram, também, naquele momento, informações sobre a situação dos americanos, que não haviam conseguido, ainda, tomar Toraccia, o que significava dizer que o avanço brasileiro sobre Castelo teria de ser consumado com Toraccia, ponto tão estratégico, ainda nas mãos dos alemães.

Chegando ao topo do monte

    Às 17h50, a voz do coronel Franklin chegava forte pelo rádio: "Estou no cume do Castelo." E pedia mais fogos de artilharia sobre pontos em poder do inimigo, além do monte. "Castelo é nosso," disse-me o general Cordeiro.

    Mais três minutos, e as baterias estavam canhoneando Caselina, Serra e Bela Vista. Os alemães responderam com morteiros, mas essa reação de nada iria adiantar, porque, como me dizia, no dia seguinte, o coronel Franklin, "estamos em Castelo e ninguém nos tira mais daqui."

    Eram mais de sete e meia da noite, noite hibernal, fechada, quando voltei a subir no meu jipe, que deixara ao lado do Posto de Observação. Nossa artilharia continuava a castigar, incansável. E Monte Castelo estava bem à minha frente, já domado.

Abetaia estava deserta

    No dia seguinte, 22 de fevereiro de 1945, o jipe me deixou, logo cedo, em Abetaia, um ajuntamento de meia dúzia de casas destroçadas pelo canhoneio dos últimos quatro meses.

    Abetaia é um nome que iria ficar, definitivamente, na lembrança de todos os soldados da Força Expedicionária Brasileira. Ali, a partir de novembro do ano anterior, a FEB sofreu alguns dos seus piores instantes. E ali ficaram, para sempre, vinte e dois soldados brasileiros, atingidos mortalmente pelos alemães que atiravam em cima de Castelo.

    Durante muito tempo, Abetaia foi "terra de ninguém". Sua pequena população camponesa foi expulsa de suas casas, das quais só restam, agora, ruínas. Noite e dia, durante meses seguidos, patrulhas brasileiras e alemãs ali se defrontavam em combates violentos.

    Na noite do dia 20 de fevereiro, véspera do definitivo ataque a Monte Castelo, o segundo-tenente Cleber Gomes Ferreira, da 6ª Companhia do 1º Regimento de Infantaria, recebeu ordem de executar uma tarefa difícil e penosa: com os trinta e oito homens da sua companhia, ele teria que ocupar Abetaia, tão próxima da vanguarda alemã. Seria, aquela, uma operação diversionista, uma manobra visando fazer com que os alemães acreditassem que o ataque brasileiro partiria dali, de Abetaia.

    À meia-noite do dia 20, o tenente Cleber começou a deslocar-se com seus homens e, logo depois, chegavam a Abetaia. "Esperamos um choque com os nazistas, sempre atentos. Mas Abetaia estava deserta".

    Ainda assim, os homens tinham que caminhar com muita cautela, devido às minas. Uma pisada em falso na grama dos lados, ou a imprudência de recolher alguma coisa que os alemães haviam deixado, muitas vezes, de propósito, poderia significar a morte.

E deram sua vida pela pátria

    Depois que o ataque a Monte Castelo chegou ao fim, às 17h30 do dia 21, o tenente Cleber pôde executar a tarefa específica para a qual fora designado: recolher os cadáveres dos soldados brasileiros, exatamente vinte e seis deles, que haviam tombado em Abetaia, quando do ataque frustrado a Monte Castelo, em 12 de dezembro de 1944.

    "Passamos toda a manhã recolhendo os cadáveres. Também encontramos alguns alemães mortos, mas seus cadáveres escondiam armadilhas fatais. É que os nazistas defendiam a tese de que um deles, morto, ainda pode matar alguém."

Fechando o cerco

    No dia 21, como já foi dito, os brasileiros fincaram pé no cume do Castelo; passaram a noite lá em cima, intensamente hostilizados pela artilharia alemã e, pela manhã, começaram a estender suas linhas de comunicação.

    A 23 de fevereiro, dois dias após a tomada de Monte Castelo, o Regimento Sampaio, e o 2º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria, receberam a missão de se apoderar da região de La Serra, para desafogar as tropas norte-americanas detidas em La Possione e adjacências.

    A vitória brasileira de La Serra possibilitou à FEB apoderar-se da linha Roncovecchio-Seneveglio e, com isso, terminava a primeira fase do Plano Encore.

Castelnuovo

    A 5 de março de 1945 teve lugar o combate para a captura de Castelnuovo. Tomaram parte, nesse assalto, o 1º Batalhão do 6º Regimento de Infantaria; o 1º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria; e o 2º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria. Naquele mesmo dia, Castelnuovo era tomado.

    A 10 de março, a Divisão brasileira recebia nova tarefa, transferindo-se para a bacia do Panaro, numa extensão de quase quinze quilômetros.

Em Montese, trinta e quatro mortos

    A ação ofensiva desencadeada contra o maciço de Montese se realizou a 14 de abril de 1945, tendo sido dirigida do alto do Observatório de Sassomolare. A operação estava integrada pelas seguintes divisões: 1ª Divisão de Montanha, comandada pelo major-general George P. Hays; 1ª Divisão blindada, sob o comando do major-general Vernon Pritchard; 34ª Divisão de Infantaria, comandada pelo major-general John Coulter; e 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (Força Expedicionária Brasileira), sob o comando do general Mascarenhas de Morais.

    A primeira tropa brasileira que chegou a penetrar em Montese, ainda no dia 1º de abril [portanto, 14 dias antes], foi um pelotão pertencente ao 1º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria. Mas os combates para a conquista da importante posição se desenrolaram até o dia 18 de abril de 1945, quando finalmente Montese foi conquistada, conquista que custou aos brasileiros 34 mortos, 382 feridos e 10 extraviados.

A FEB faz vinte mil prisioneiros

    A 22 de abril, estava em poder das tropas brasileiras toda a parte oriental do médio Panaro, após a conquista de Zocca.

    E, finalmente, no dia 28, teria lugar um dos mais importantes feitos de toda a campanha da FEB na Itália: a rendição da 148ª Divisão alemã, o restante da 90ª Divisão Blindada alemã e da Divisão Bersaglieri Itália, que integravam o 14º Exército alemão, num total de cerca de 20 mil prisioneiros, entre soldados e oficiais. (Durante toda a campanha da Itália, a FEB fez 20.753 prisioneiros.)

    A 148ª Divisão Panzer, comandada pelo general Fretter Pico, rendeu-se aos brasileiros em Collechio-Fornovo, entre Milão e Alessandria, após demoradas tratativas entre o comando alemão e o então tenente-coronel Nelson de Melo, comandante do 6º Regimento de Infantaria, negociações essas que tiveram início na madrugada do dia 28 de abril, e que só terminaram com a consequente rendição, às 11 horas do mesmo dia.

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